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Quinto trecho: Montevideo - segundo tempo e prorrogaçao
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Hola hermanas e hermanos!!!
Minha partida aqui em Montevideo chegou ao final, pelo menos neste atual campeonato. Passei dias lindíssimos nessa hermosa cidade, que me acolheu com muito calor, apesar do friozinho que começou a fazer e me assustou um pouco. Como boa golondrina que sou (andorinha), já está na hora de voar até a Europa em busca de novos ares. Mas antes, falando em aires, vim para onde eles sao Buenos. Fiz o trecho Montevideo - Colônia de Sacramento em bici, isso depois de quase 3 meses parado. Estava um pouco enferrujado. Pedalei 52 Kms no primeiro dia, até Libertad, uma cidadezinha que tem o desprazer de hospedar um presídio com o mesmo nome, onde ficaram muitos presos políticos durante a ditadura militar uruguaia. É o cúmulo do masoquismo, chamar uma prisao de liberdade...
O tempo estava chuvoso e frio, mas eles dizem aqui quando chove: me mojo pero no me enojo, porque no encojo. Mas no segundo dia acabei me enojando com tanta chuva e frio, e depois de pedalar 64Km tomei um ônibus para fazer o terço final deste trecho. Acabei mantendo a mesma proporçao entre bici e bus que fiz até aqui em toda a viagem, que é a de mais ou menos 2/3 em bici e 1/3 em bus ou trem (fiz até agora uns 2.000Km de bici e uns 1.000Km contando todos os trechos onde tomei bus).
De Colônia passei com o ferry até Buenos Aires, onde uma amiga, a Silvana, foi muito camarada e me hospedou em sua casa. Tenho encontrado muita gente boa pelo caminho como ela, e isso me faz ter cada vez mais a certeza que vamos mudar o mundo para um mundo mais feliz, mais saudável, humano, ecológico, pacífico e barato, com menos consumismo e mais vida, um mundo onde andaremos muito mais em bici que em carro, e onde estaremos muito mais tempo com quem amamos do que com quem suportamos. Um mundo onde todos darao seu grito de liberdade contra o sistema.
Viva a vida, vá de bicicleta!
beijos e abraços apertados,
Gaio
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Família do albergue de Montevideo: Karine, Robert, Alba e Emily.
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Lila, minha "bisabuela" uruguaia, mae de Reina. Foi na pensao de Reina que me hospedei esses meses, e onde me sinto em casa. Tenho mais uma casa pelo mundo!
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Barraca armada para venda de minhas fotos. Eu começei na minha carreira de "fotógrafo profissional", e estou vendendo as
fotos da viagem para ajudar com os custos. Aí estou na feira de Tristan Narvaja, em Montevideo, uma feira enorme com tudo o que se pode imaginar.
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Pequenos uruguayos.
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Pescadores no por do sol da rambla (calçadao) de Montevideo.
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Rambla de Montevideo.
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Nascer do sol na praia de Pocitos, durante um passeio de bici com a Karine.
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Karine, no mundo "patas arriba". Estou inspirado pelo livro do Eduardo Galeano, "Patas Arriba", (ótima leitura para quem acha que temos que mudar o mundo), e vou colocar algumas fotos assim, pois acredito na idéia de que se o mundo hoje está de pernas pro ar, devemos dar uma volta nele prá que ele possa parar sobre seus pés...
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Nascer do sol na praia de Pocitos.
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Inocência com seu novo apetrecho, as esteiras que uso para expor meus trabalhos nas feirinhas de artesanato.
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Lívio, Daniel e amigos do grupo espeleológico do Uruguay, num lindo dia de sol onde treinamos um pouco de técnicas verticais (rapel).
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Edurne, (espanhola), minha "professora de equitaçao". Fui num clube de polo onde ela trabalha, e ela me ensinou um pouquinho da arte de montar.
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Nesse dia fui mesário numa partida de polo. Muito lindo ver os caballitos correrem para um lado e para o outro!
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Bicicletaria do Sapo, que é o rei das bicis aqui em Montevideo. Ele só nao é muito organizado... Todo cicloturista que passa por aqui acaba conhecendo o figura, que até tem um livro de visitas onde cada um conta sua história.
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Karine e Smi, amigo brasileiro da Unicamp que também deu seu grito de liberdade contra o sistema e saiu pelo mundo de moto. Estou tentando convencê-lo que é muito mais legal fazer a viagem em bici...
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Emanuela (austríaca) e Karine (brasileira).
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Candombe feminino. O candombe é um ritmo típico aqui do Uruguay, com raízes africanas e primo dos nossos sambas e ritmos bahianos. Cada bairro de Montevideo tem um grupo, e o do meu bairro desfila todo domingo, é uma festa muito bacana. E o melhor de tudo: grátis!
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Museu de Bellas Artes de Buenos Aires. Detalhes de diversas obras.
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Mosaico uruguaio.
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Dia 8 de abril fiz 30 anos, com direito a festa no terraço da pensao. Da esquerda para a direita: Federico (argentino),
Emily (estadunidense), Agustín (uruguaio que vive na pensao da Reina), Nancy (uruguaia), Ivo (Nicaraguense, Uruguaio) e José (português dono da escola de idiomas Brasil Club).
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Nesta foto aparecem também o Carlos, uruguaio do hostel daqui, e à direita o Arturo, uruguaio, com uma amiga brasileira (de costas).
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Aqui estao também a Lucía (de costas) e o Marcelo (em pé), uruguaios, e o Eduardo e a Alexandra (de azul), que vivem na pensao.
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Saúde!
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Com as caipirinhas que fiz a festa esquentou, e dançamos até as 4 da matina!
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Ops, bateu um vento...
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Novos e grandes amigos!
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Esta foi minha estréia na venda das fotos, na feira de Villa Biaritz em Montevideo. Quem aparece aí é o Mário, um amigo ciclista daqui que também vai começar uma viagem de bici.
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TRILHA SONORA DESTE TRECHO DA VIAGEM:
Agora que estou com um equipamento de som portátil, a música me acompanha. Neste trecho escutei um pouco de música uruguaia:
- La Vela Puerca
- Ruben Rada
- Los Olimareños
E também matei a saudade do Brasil com alguns discos que gravei, do Chico Buarque,
Milton Nascimento, Zeca Pagodinho (que fez o maior sucesso na festa de aniversário), Clementina de Jesus, Paulinho da Viola...
LIVROS LIDOS E SUGERIDOS:
Rodeio dos Ventos - Barbosa Lessa
Sao várias histórias da formaçao do Rio GRande do Sul, Uruguay e Argentina, muito bacana de se ler principalmente durante uma viagem prá essas bandas.
Patas Arriba - La escuela del mundo ao revés - Eduardo Galeano
Galeano é um autor uruguaio famoso, que conta nesse livro milhares de exemplos e percepçoes de um mundo que está de pernas para o ar. Muito inspirador no meu caso, que penso cada dia mais em escrever minha tese de doutorado relacionando esse sentimento mundial que clama por mudanças e minha viagem de bicicleta. Afinal, a bici pode ser o símbolo de uma nova era, em contraposiçao ao carro, o símbolo da era atual.
El libro de los abrazos - Eduardo Galeano
Lindas e emocionantes histórias.
Gracias por el fuego - Mário Benedetti
Outro ótimo autor uruguaio, que nessa novela faz uma crítica ao sistema, à mídia e à sociedade uruguaia, mas que pode muito bem ser transposto para muitos países do mundo, inclusive o Brasil. O personagem principal é o filho de um grande magnata da mídia, e que nao concorda com seu pai, que é inescrupuloso e usa de todos os golpes baixos possíveis para manter seu poder.
Bernabé, Bernabé! - Tomas de Mattos
Relata um vergonhoso episódio da história uruguaia, a matança dos índios Charrúas pelo primeiro governo uruguaio, de Rivera. Os brancos e os índios lutaram juntos pela liberdade daqui, mas depois os brancos traíram os índios. Mais um triste episódio dessa enorme matança que foi a invasao das américas pelos europeus.
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| © 2004 - Edgard Antunes Dias Batista - Todos os direitos reservados |
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